16/10/2019

True colors

Eles iam ler Mia Couto no parque . Eu já  fiz poesia na praia. Cravei com minhas palavras a dor que sentia, digo,  as dores que me atormentam.
Por alguma razão foi a aborda a leitura no parque. Deve ser por conta da iluminação. Aracaju não é  conhecida por ser a cidade luz. Paris é  e nem lá há tantas luzes.
Atrapalhei uma leitura de alguém que adora esmolas de atenção. Bimbom, bimbom, era Mia Couto,  eram as miçangas, mas principalmente eram os fios que mantinha essas miçangas unidas juntinhas. Lindas, circundado um pescoço falso, de uma história falsa de mais um dia falso.
Onde se encontra autenticidade nessa vida?
Não estou pedindo, mas estão me oferecendo esmolas. Não as quero. Insisto: não as quero.
Cego-me diante da dor do existir,  do gritar para se fazer ouvir: vá logo antes que eu me parta, que meu coração se parta, que minha alma se quebre todinha.
Já mudei as as plantas de lugar, já pintei paredes, já troquei  móveis, já troquei números de telefones.  Me deixe assim como a água deixa a fonte; eu não sou fonte. Sou fácil de deixar, escoar, desprender, desaguar.
Eu não compito, eu não entro em batalhas. Você  já venceu. Pegue seu biscoito e vá ser feliz longe de mim. Minhas cores novas suprirão qual ausência.  I have change my colors. É nossas cores não são suplementares. São opostas. Já mudei tudo de lugar
 Tenho plantas novas. Viajo pra.onde onde não encontro. Como onde não te encontro. Morro onde você vivo. É viver, viver já não  importa. O mundo é cruel e solitário. Se acostume. Pedradas. Não importa mudei os moveis de lugar e pintei as paredes. BjimVocê já não está  lá. Ah e o riso dele Não é comigo







09/10/2019

A esmola é um escravismo disfarçado de altruísmo. O beneficiário passa acreditar que todos têm o dever de lhe servir. Caso contrário a ira de deus ( seja qual for) deve cair sobre o não altruísta.
O esmolé nunca se dar por satisfeito; ele quer sempre mais e mais e você se torna mais e mais obrigado a ser.docil e gentil com ele. Porque você almeja um lugarzinho no céu. Você não é altruísta, sinto informar, você está barganhando a sua ida ao seu em troca de umas poucas moedas.
Mas de todo caso esses pedintes, não o que recebem, mas o que dão são outras criaturas também insaciáveis e puramente egoístas. Vão lhe dar atenção quanto precisarem de um mísero favor, que para o benfeitor não significaria nada, para eles seria algo importante. Para mim está decido: só faço, só dou o que não me faz falta o que não me é sacrifício.
E tem sido cada vez mais um sacrifício,  uma imolação olhar para cara dessa gente pedinte, não naqueles que pedem trocados, mas aqueles que lhe pedem algo quando lhe é conveniente, que lhe tratam como um móvel alí disponível para ser usufruído. A partir de agora eu sou não. Não quero, não posso,não vou, não empresto.
O altruísmo é uma farsa. E não servirei de capacho para farsantes.

02/10/2019

Qualquer amor que não seja o meu é o amor mais sincero.
 Qualquer amor que se pretende meu é o mais real circo, é a maior, tangível e abjeta mentira. É um eterno fazer de conta. Qualquer pessoa que não seja eu é a mais sortuda dessa vida. Só pelo fato de não se saber eu. Os outros têm sabores, os outros têm vida . Eu fico aqui ruminando uma maneira de sentir algo ou deixar de sentir algo. Qualquer coisa, qualquer pessoa é vitoriosa . Eu no canto como sempre. Ali, esquizóide, evitando olhares ainda  que alguém de quem eu goste me olhe ,me perceba. Eu não percebo ninguém, eu não olho para ninguém.
 Eu existo assim como a cadeira velha de minha sala. Vivo? Aí já é querer demais. Eu não quero esse  torpor, esse morrer  em vão todo dia, à prestação, parcelado. Sem coragem de enterrar a cabeça no forno e morrer e partir dessa merda horrorosa
Todo dia a gente morre um pouco e mata outro tanto. Todo dia...
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13/09/2019

Sentinela

Caminhando pelas sobras da sombra da lua. Solo, só,  solo infértil.  Queda d'águas , da própria  altura, soturno, imaturo  completamente insano e dolorido. Viver dói.  Trair dói,  ser traído dói.  Não  há remedio. Quero  esquecer,  não  quero  amar, não  quero apego. Sôfrego,  trôpego,  cego, quase vivo, quase morto, quase morro, quase vivo.  Vazio, uma via láctea de vazios sozinhos. Sou eu quem não  me quero. Sou o que não  queria  ser e ainda assim há  quem me inveje. Impossível  invejar essa  dor que bate junto com meu coração.  Ele não  pulsa, apanha, apanha e não  pega nada, não  fica em nada
 Acelerados heartbeats. Eu parado. Calado, engosmado, ocre, acre, taciturno,  miúdo. Indiferente e e louco por ter vista,  de ter vista, de viver. Meu deus, socorro . Essa dor talvez passe com o morrer. Mas nem morrer posso  se nunca vivi.

03/09/2019

Carta

Vou jogar a real.  Veja! A minha  vida a sinto como uma merda.  Me sinto incapaz  de ser amado pelo que sou. Pela minha aparência  e pelo que não  conquistei  na vida. Tenho consciência, portanto, que grande parte do que sinto  é proveniente  de minhas  incapacidades mentais de lidar com a realidade  e de ser adaptativo.  Eu não  tenho problema real.  Mas os procuro em cada esquina, em cada bom dia, não  respondido, em cada olhar não  correspindido. Encontro esse monstro que me persegue pelas frestas das portas , corro dele mas ele semrpe me persegue. Dói  saber que não  sou nada,  talvez haja aí um pouco de inveja  dos outros. Todos que eu invejo  não  são  eu. Eu sei o cerne  de minha  falta de aptidão  pra viver  nesse  mundo. Eu sei que devo  apenas esperar a hora de morte ,por fim. Mas a angústia é pq eu tenho consciência do nada q eu sou e do nada q eu represento  no universo. Ninguém  tá  cagando  pra mim. Ninguém  se importa. Cabe a mim viver como deve ser, sofrendo ou me remediando q é outro  tipo  de sofrer, só  que disfarçado. A verdade, amigo, q toda  essa perseguição  está  na sua cabeça.  Ninguém  se importa  com vc , assim como não  se importam comigo.  Não  tem ninguém  a sua procura. Vc quer encontrar meios de não  viver.  Antes vc vivia pelo bocado,  pelo aluguel atrasado, pela conta  de energia. Hj vc não precisa mais disso.  E tenta encontrar nessa perseguição  alguma forma de se vitimizar e de não lutar pela vida.  Compreendo  vc completamente.  Mas essa é  a verdade. Se lhe  quisessem  morto já o teriam  matado há  mt. Relaxe que quem ta se matando é  vc mesmo aos poucos ao renunciar  avida, o querer o q não  pode ser e tenta achar um culpado. Eu não  tenho  culpados. Só  me falta  a vontade de viver.

01/09/2019

A plantinha sem água.

Sou aquele a que não  tem  a quem pedir que regue suas plantas. Elas estão murchas. Morreram. Talvez haja esperança , lhes dei de beber hoje. Talvez amanhã  recuperem a vida.
Há esperanças para elas. Para mim...
 Eu sou o que em um soslaio recebe  qualquer  atenção para no instante seguinte ser esquecido pelo simples fato de desaperecer das vistas  nesses entreolhares. Vc tem amigos, eu não.  Vc tem a vitalidade  da vida, eu não.  Não se pode viver  de prontidão  com medo que eu de relance veja uma conversa sua, de insinuações sexuais, de nudes intermináveis.  Não lhe quero mal. Longe de mim  lhe fazer mal. Quero-lhe, Antes de tudo, bem. Bem sucedido. Uma pessoa boa e honesta vc há de se tornar.  Quanto a mim devo  cada vez mais buscar o isolamento e me prepar para cear  com  a indejesada das gentes. De ir com ela quando não mais aguentar essa vida, da qual eu só  recebo chibatas, empurrões  e mentiras.  Eu sou um desgraçado que teima em viver ainda que a vida não  me queira.  Eu te amo e por te amar e por meu ciúme  e inveja é que lhe quero longe de mim.  Não  aguento  isso. Dói, e quando começa a doer o adeus é a melhor coisa.  Não precisaremos buscar desculpas, inventar  desencontros, tantas coisas mais. Ninguém   tem nada  a ver com com nada na minha vida. Já  lhe disse sou um pobre  vira-lata abandonado por si mesmo.
Estou alí no canto, vacilando, dando de ombros, encolhido.  Com a voz trêmula,  insegura,  vazia. Com uma voz  gosmenta, acizentada, que fala para dentro  como  que pedindo  licença,  autorização  para viver.  No canto há  cacos de  vidros.   Corto os pés  e sinto alguma  coisa. Algo extremamente genuíno  e verdadeiro: minha dor. Que nunca me abandona, que nunca me trai. Apesar de todos subterfúgios  que uso para lhe fugir, ela está  ali implacável, esse monumento  a minha  ruína ,a esse nada que é  minha vida. Calado soçobro aos poucos me atenho a qualquer coisa  que passe e não morro, vivo quase naufragando, quanse veleijando, quanse vivendo.
As plantas  morreram. Eu não morro. Covardemente  indo um dia atrás do outro engolindo o choro, fingindo suportar. Quando silenciosamente queria que o avião  que me carregasse explodisse. Que eu fosse um acidente  sem nome: indigente morre. Ninguém perguntou.  Foi enterrado em cova raza. E finalmente me junto à lama que me esperava desde o parto aleatório  e desnecessário  naquela madrugada de sábado, de um desses meses que se repetem, de um ano qualquer que finge ineditismo.  Arre. O meu primeiro choro foi  de desespero  e porque o último não  deveria de sê-lo? Enquanto isso me vou aos gritinhos contidos , fingidos e escorregadios  de vida vazia.

03/08/2019

Quem é o cidadão de bem e o que ele quer

O cidadão  de bem é aquele que pensa que  as leis não se aplicam a ele. Ele acha que os suburbanos e os pretos que devem subserviência  a essas leis. Ele crê piamente que é  capitalista pq tem um salário  acima da média, tem uma casa de campo (dentre outras coisas) não  usa os serviços públicos e acha que paga impostos demais para os pobres procriarem e viverem de bolsa familia. Ele se acha rico pq vai aos EUA, pq troca  de carro. É  um iludido, de alma pequena  e conta bancária  idem. É um gerente de banco que pensa que é banqueiro. Mas tem ego! E quer mudar  com tudo isso que está  aí,  desde que, e somente só,  não  mexam nos privilégios  dele. Ele acha, até, que viajar de avião  é privilégio,  que ter 3 refeições por dia é  mt para um pobre.
O cidadão de bem é  a antítese  do bem. Enclausurado  na sua  ontologia caolha, tosca e míope.  O cidadão  de bem é aquele que não  dá seta na  hora de virar a esquina, que não para na faixa de pedestres,  que não  respeita  as leis de trânsito e não  quer  ser multado por isso. Ele é elite(sic) as leis não  se aplicam a ele.
O cidadão  de bem é  aquele que no meio de um  estacionamento de shopping saca uma arma e lhe ameaça  tirar sua    vida e sai incólume.  Porque ele é cidadão  de bem, defensor da moral e dos bons costumes.
E nós  que não  somos  cidadãos de bem ( ainda bem) devemos nos calar pq nunca se sabe  com quem podemos estar mexendo. Vai que  é  um senhor de bem aposentado ai de um alto escalão  aqui da nossa província... a gente se cala e agradece e quiçá  perde desculpa por atravessar o caminho dele ainda que na faixa de pedestres. 
É melhor deixar o cidadão  de bem  hermético  em sua esquizofrenia  e arranjar outros meios  para  não  sermos atropelados.
Parafraseando Chico : -cidadão  de bem, cidadão  de bem!
-Chama ladrão! Chama ladrão.
Ou o chapolin colorado.

Vaidade


A paixão e piedade andam lado a lado, diferentes do óleo e da água, elas se misturam perfazendo um martírio ilusório de necessidade recíproca. É uma dança de vaidades mesquinha que se apraz com o fingimento mútuo, na tentativa burlesca de ser parte do outro.

17/07/2019

Prosa

Não sou muito de prosa, pois sou precoce, sou direto, e por vezes e horas, até grosso. Mas hoje eu seria de prosa. Seria uma prosa devastadora, um cataclismo voraz  que como nas delongas de uma romance iria carcomendo as histórias, como em um fenômeno autofágico.


Não sou de delongas, não sei explicar, já entendo... E se eu entendo qualquer seria capaz de entender tudo. Não considero de extraordinário nada daquilo que eu  possa fazer, não acho pelo menos nos outros... Já em mim... Ah, continuo sem achar nada ainda. Porque de fato não procuro. Minha vida não tem sido procura, vez ou outra ate que acho algo, e que nem gostaria de ter achado, outras que nem gostaria de ter perdido, pois essa massacrante  historia de que o passado, sempre com aquele tom melancólico, foi de certa forma, ainda que em idéia, melhor do que  o dolorido presente, porque a dor do passado não dói, o passado só existe em  na dor que passou, enlutada e já esquecida. Ah, a prosa, corre solta, disfarçada procurando meios, enleios para dizer o que a poesia dia assim do nada, num simples: “eu te amo”. Mas a vida em prosa não se resume a um simples “eu te amo”. Vai envolver um “eu”, “um você” e todos os o outros que são a favor ou contra, ou os ainda se fazem de Suíça. E e ela, a poesia, nem só de “eu te amo” vive persiste num sonho de um lado só, num acordado só: A dor dos outros não dói. E por que o amor teria companhia nessa desventura que antes mesmo de começar já esta fadado ao fracasso? A o amor, a prosa, a poesia, a vida: será que eles tem em comum?


Nem sei, eu ao tenho nada em comum com ninguém em lugar algum, o ente alienígena que vaga assim diferente de todos em todo canto. Viverei a síndrome de avestruz. Assim, assim... vou proseando, assim assim...