13/01/2014

Roubados

Tudo é roubado de nós. A vida o tempo rouba.
Os amigos oportunistas a ganância rouba
Os verdadeiros a mentira rouba...


Ah o que não nos é roubado?
A morte!
A morte é sua!
Mas antes dela
O prazer, e junto com ele, a dor são  seus.
O prazer e a dor e a morte são solidários a você.


13/09/2012

Calado
Nos enleios dos silêncios noturnos
Um copo, um gole, um trago...
As presenças são mínimas
E tão pobres as rimas

Desce a noite
A madrugada
E tão nefasto, perdido!

03/08/2012

Do que mais gosto é voltar para casa...
Alheio aos meios de predação capitalista, ou quase
Sob o olhar permissivo do aconchego.

Voltar e voltar a voltar

19/05/2012

lluvia

Pluie nous aide à voir

E sem ajuda não conseguimos ver
Nada!

A chuva ajuda
Inunda...
Toma, chega...

Cíclica como a lua
Imprevisíveis mulheres...

A chuva, a lua e a maré

cabaré
luar
lupanar...

A chuva ajuda
O escuro revela....

vela
revela
desvela...

Inundações pulsões de mortes vãs...






02/05/2012

Encontros insistentes

A vida é um eterno desencontro
consigo e com o outro
É eterna solidão.
De empatia inexistente.

É solidão e ponto final.

02/04/2012

rpt


a vida se repete e se perde a graça.

A vida se repete
A vida se emudece
a vida passa
Assim tão de repente.
Não é fresco de um cheiro de char de erva doce.

Não é um chocalho,
Não é um móbile
Aliás, depois de certo tempo
Nada se move.

Não é o cheiro sereno
é o cheiro ocre da velhice.

Enlheio de anos
Récuas de anos
anos vagabundos
pesados
alienados
mal vividos
mal amados

um vida suportada, emprestada
não devolvida...

É preciso tanta vida?
vivida num eterno crepúsculo?






01/03/2012

À flor da pele
ventos
bicas, tempestades, copos
moinhos de ventos vãos.
A luta é contra
O invisível,
O intangível,
                                  O indizível memorável.


Moinhos de ventos, esses monstros que perseguem os sonhos,
                 que os moem,

                            que os fazem nada,  de nada.

                                                Sopram para longe, bem para dentro de sua terra árida
O escândalo da visa alheia
                                            Que se tornou a sua.

                                                                Vai com o vento, nesse relento
Nesse momento ébrio.

                                 Porque sóbria mesmo é a dor
            Que exala à flor da pele o cheiro acinzentado de uma vida...

24/11/2011

Pretéritos imperfeitos

com o tempo
o tempo passa
 e nao nos damos conta dele
com o tempo as ranhuras do tempo não incomodam mais

Marcam
colam
chegam
ficam
apagam
passam

Ah, o tempo
impreciso
inquietante
tempo amigo inimigo
ampulheta
uma  vida a menos
um dia a menos
Escritos
em linhas quaisquer
E rimas rotas soltas


Sem sentir passou
ficou
acomodou-se
Sepultamo-nos
passagens passageiros
ligeiros

E com o tempo
será tudo
pretérito
inquieto...










15/09/2011

Torta di riso

(...)O domingo era todo aquela barraca de doces, meu desejo e meu desejo...
Durante grande parte daqueles domingos, eu me deparava com o que eu não podia e só queria isso.  O bolo incolor me deixava com água na boca e dor na alma. Se o tivesse provado, hoje só estaria com a dor. Dói muito realizar um sonho. A sensação é de esvaziamento. Como nada realizei, ou coisa alguma me foi concedida, parei de sonhar. Sou todo dor e falta de bolo de arroz ...
Minha infância chegou a ensaiar um gosto; minha vida de adulto nem isso. E ainda criança o homem na t.v. dizia que o céu era o limite. E minha infância me dizia, dentro de seu amargor insípido: o bolo de arroz é o limite...

21/08/2011

Mente simplesmente
Onde se esconde uma mente?

Uma luta mera
contra a corrente
E a vida
É essa megera.
Essa fera

querelas, querelas...
Querê-las?




27/07/2011

Não não é falta de confiança
É medo de julgamento
É
medo de reprovação e se sentir menor

Não há o que discutir
Não sou cura...
Não sou luta

Tô seguindo em frente

Cada vez menos a frustração me encontra...

Eu não tenho medo
Para confiar tem que ser forte.
Eu confio porque não me frustro
Porque não idealizo imbecis que me batem à porta.

Portas cerradas, janelas cerradas
l'amicizia è finita
Como a vida é finita
breve, efêmera, passageira.


Deem-me passagem, passageiros!

21/07/2011

Black Eyes

Ver seus olhos
estar em sua presença
ou lembrar de sua existência me trás

Angústia, tristeza.

Olhar nos seus olhos era mergulhar na nas noites tórridas de verão
Era imaginar que a luz nunca chegaria.

Mirar a sua cara
era mirar a tristeza de sua existência de sua carcaça
sem essência

Longe de mim e com sua presença obliterada
Lembranças de você quase apagadas...
Incorrem em mim a maldita tristeza sua.

Da vida que você me roubou
da vida que deixei você roubar.

Soubrou-me agora
A liberdade, do tempo de ainda ser feliz.

Tantear a infelicidade
Foram os momentos em que toquei você.

19/07/2011

Arrastão

Meias perdidas
Gavetas fechadas, cerradas!

Meias,meias
                cheias
meias verdades...

Se perca pelos meios e enleios
Meios caminhos
Meias,meias meias...

Tô meio meio
vazio, esquálido
quadrado.

17/07/2011

Desmundos

Nunca fui longe
Sempre perto
Sempre ali na esquina
E sempre volto às pressas

O melhor de ir é poder voltar

Nunca parti porque em qualquer parte seria eu
Qualquer parte do mundo não me deixariria para trás


Tudo tão engessado
Preso

                                                                                     Pior seria partir e não ter para quem voltar
                                                                                               Não ter para onde voltar
                                                                                               Na retilínea vacância da exisência


                                                                                               Partida, dividida, repartida.
                                                                                               Voltas e revoltas e revolições
                                                                                               Todo parte para um fim.

13/07/2011

Partidas



Arrume as malas
pegue o primeiro voo,
O destino mais longe
Vá, vá
Vá para viver, não para morrer.

Largue, se agarre às loucuras
Siga-as... viva-as...

Eu vou ficando aqui
Sedimentando a vida
A existência

E o que será que tem além da porteira
da linha do trem
de estrada,
da vida?

Pegue o primeiro trem
Parta.

12/06/2011

SENDA

Deixe que alguem entenda
A senda que te tenta
A senda que te leva a algures
Lúgubres

A senha que permite a fulga
que permite a vida
A senha do caminho, da senda,
Não é nada
É só a noite de domingo de desanima
Que desvenda a pequenez...

A senda que nem desvenda
é só uma rima... que quebra
na próxima esquina...
Caminhos tortuosos desvelados...

08/06/2011

Cinzas

Um adeus
Um prêmio meu
Saí auntêntico
como meus tantos cabelos brancos

A cada esquina que viro ]
perco  a cor de meus cabelos
Grisalhos, embraquecidos
é o tempo passado.


Um adeus
E um alivio no coração

Go baby, go baby

 agora nem adianta tentar voltar
Lá , ali não vai me achar.

29/05/2011

HD

Tái, vi todas as fotos agora
ficaram todas comigo
no entanto, nem todas as lembranças são minhas.

Do meu hd apago tudo quanto eu queira
E na hora que quiser

Sem fotos para apagar
O que afinal vai lhe sobrar?

Nem fotos, nem eira nem beira...

28/05/2011

Círculos imprefeitos

Hoje não quero planos
Nem curvas
Nem retas

Quero a perfeita imperfeição das ondas
Assim vou seguindo em círculos nauseantes.

25/05/2011

Bifurcações

Bifurcações ambíguas

Veredas
becos e encostas reencontrados
Fazem
 a figura inteira de uma vida

Cada caminho que caminhei
cada pegada que deixo



Faz de mim um  retalhoRemedandado com tantos outros...