Queria amar para sempre quem um dia amei.
Não a pessoa — o estado.
A vertigem limpa de acreditar.
Havia um lugar dentro de mim onde o amor não tinha cálculo. Era puro impulso, quase fé. Eu não sabia do desgaste, não suspeitava da falha. Amar era um gesto sem sombra.
Queria voltar ali.
Mas o tempo não permite regressos; apenas memória. E memória é reconstrução, nunca retorno. O que chamamos de “para sempre” era só ignorância do fim.
Já é tarde.
Não porque o amor tenha acabado — mas porque eu já sei.
E saber corrói a ingenuidade como ferrugem lenta.
Resta a lembrança daquele instante inaugural, quando tudo parecia eterno simplesmente porque ainda não tinha sido quebrado.
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