Os esforços invisíveis são tão mais visiviveis e irrisórios que os que se dizem tangíveis. Principalmente quando aqueles são carregados de propósitos miúdos. De obsessões imagéticas, de manias autorrepresentativas.
Olhar do banco do carro vazio tem lá suas vantagens. Viver para agradar outra pessoa não é viver é um ensaio de títere. É autoanulação por uma presença física. Mas o banco já está ali. É a melhor campanhia, acredite. Solene , firme, silencioso e pragmático o banco direito do carro estará lá e olha-lo e sentir-se pleno é imponderável. Compreender a vida como um passeio horrivel e solitário é um grande passo para liberta-se do sofrimento de procurar ou de achar que se deve ter alguém ao lado.
Não há verdade mais falsa no mundo do que esta. Um travesseiro preenche o lugar mais perfeitamente do que muita gente. Decidir o que comer , só. Decidir aonde ir só. Decidir aonde não ir só. Decidir ficar só. Decidir partir só. Se atrasar só. Mudar os planos só.
Sozinho. Meu deus há quanto tempo não me vejo só! Verdadeiramente só. Pois só estou o tempo todo, mas pseudoamarras que me anulam e me tomam o ar com desfaçatez.
talvez e só talvez, a poesia salve alivie as dores da alma entre tantos espinhos que nos espetam.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
-
O dia corre, e eu não corro com ele, Ergue-se alto e minha vida declina. A luz se arrasta, riscando o cruel pele, Apolo açoita—e a treva dom...
-
O dia passou por mim Eu não passei pelo ele. O dia já vai alto E Já vai baixa minha vida. A luz passando se arrastando pelos penh...
-
Eu tinha oito, talvez nove anos. O chão não era asfalto, era terra — um pó avermelhado que subia e colava na pele, fazendo da infância um o...
Nenhum comentário:
Postar um comentário