talvez e só talvez, a poesia salve alivie as dores da alma entre tantos espinhos que nos espetam.
18/03/2026
A inércia de uma pedra , a queda cinetica da dor
Estou só como quem empurra uma pedra que não pede movimento,
como quem cumpre um gesto que o mundo não encomendou.
O esforço não redime, apenas ocupa.
A montanha não responde. O chão não memoriza.
Sou um ponto entre bilhões de pontos,
grão que não soma,
areia que não constrói deserto algum.
Existir é repetir o peso,
e chamar de sentido o hábito de não largá-lo.
No fundo, não é a solidão que dói.
É a lucidez de que ela é estrutural.
Somos mônadas com sede de fusão,
átomos que sonham ser molécula,
consciências que imploram por um “nós”
sabendo que o máximo que alcançam
é um “eu” roçando outro “eu” no escuro.
Desejamos ser dois em um,
mas a ontologia nos condena ao um em um.
Cada qual empurrando sua própria pedra,
cada qual chamando de amor
o breve alinhamento de trajetórias
antes da gravidade nos separar outra vez.
E ainda assim seguimos.
Como Sísifo, mas sem a dignidade do mito.
Empurramos por inércia,
por teimosia biológica,
por essa recusa patética e grandiosa
de aceitar que o nada é suficiente.
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