04/08/2008

Lamas lascivas

A chuva cai lentamente. Forma lama. E quem liga? Bitches! Talvez sinta muito, mas muito pouco mesmo por qualquer coisa que tenha acontecido. Ainda que nada tenha acontecido. Só minha consciência pesada. Medo de errar. Medo do erro. Some mistakes are left… E esses que me restam me fazem perder o sono, ou me farão perder a vida que nunca tive; lamentável tal circunstância circense . Latente em mim o palhaço que sempre fui. Ria de mim. Goze em minhas chagas. Sou prolixo, redundante, evasivo, invasivo, e no fim: apático...

Em meio, digo, embaixo dos pés que me pisam, vou rolando envolto a ceticismos , sangrando o suor da desesperança. Sem caminhar, sem caminhos, you bitch! Cataclismos, hecatombes de existências fúteis. Produzamos para sermos poupados!!!!

O inevitável sempre acontece... sempre me frustro no lazer ridículo a que me proponho e me proponho a momentos lascivos tão parcos.... sou falho, perdão, Pai! Pequei !! Pequei contra as minhas crenças. Pois não acredito mais nelas. Who cares?

27/07/2008

ininteligibilidade




No momento a palavra que mais me define é incompreensão. Estou perdendo a pouca capacidade que tinha de compreender as pessoas e o existir de cada um delas e de sua totalidade. Não me compreendo mais, e agora é por completo.

O inexistir me fez assim tão incompreensível.

E no fim?

O que é o maldito fim?




10/07/2008

Azul Marinho


Seu mar é verde

Seu mar arde

Seu mar ferve

Seu mar ver

Meu mar é salgado

De lágrimas

Falsas

De esperanças débeis

Meu mar

Na verdade não é um

Mar

É um quarto escuro

No meu mundo

Tudo é um mar

Porque nele me afogo

Porque tudo me sufoca

Tudo me afoga

Meu mar é negro

É morto


Verde...


Nem a esperança...

De um sonho emprestado

Mudaria as minhas cores...

08/07/2008

Et Allons!

Já escolheu o

De qual tamanho será que somos?
Paira certo relativismo. Mas acho que somos do tamanho que queremos ser.
Na vida de algumas pessoas podemos ser gigantes
nas de outros não passamos de anões ou menores ainda.
A vida está por um fio e nos prendemos a coisas mais frágeis ainda, mais insignificantes, tais com mágoa, egoísmo etc, não acha?
Mas isso tudo acontece para que não percamos a fé, a esperança na humanidade, brotherhood...
Não entendi sua partida tão súbita, (reprise)
Ah, dizem que tudo já foi dito e feito, não nos prendamos a ineditismos, não é?
A vida está por um fio e a navalha da morte é muito mais forte do que ele, ceifa-se em microssegundos...



"Enfin, je demanderai pardon pour m´être nourri de mensoge. et allons"


30/06/2008

CARCARÁ

QUANDO EU MORRER, QUANDO EU ENVELHER

JÁ SEREI O COMPLETO ESTRANHO

PARA MIM

PARA O MUNDO

NÃO TEREI MAIS NENHUMA REFERÊNCIA VIVA

JÁ NÃO ESTAREI MAIS VIVO

HÁ ANOS

QUANDO EU MORRER

QUANDO ESTIVER VELHO

SE FICAR

JÁ NÃO SEREI NADA

NADA ALÉM DO QUE FUI A VIDA INTEIRA:

NADA

A BODEGA NÃO FECHARÁ AS PORTAS À PASSAGEM DO FÉRITO

LAGRIMAS NÃO SERÃO DERRAMADAS

SOU

SEREI UM ESTREANHO

ESTRANHO

O EGOÍSMO DE UMA VIDA

VIVIDA PELA METADE

COM MEDO

E IGNORANDO A ORIGEM DESSE

MEDO!!!!

MEDO?

MEDO...

QUANDO EU MORRER

NEM SENTIREI MINHA FALTA

NÃO POSSO ESPERAR QUE O FAÇAM POR MIM...

QUANDO FECHARAM O TÚMULO

AS CHAGAS APODRECEREM

NÃO SEREI MAIS EU

E NÃO SEREI NADA

NÃO ESTAREI NAS LEMBRANÇAS DE NINGUÉM

NUNCA TIVE NINGUÉM

NINGUÉM NUNCA ME DEIXOU TÊ-LO

QUANDO EU EVELHECER SÓ TERIE A VELHICE.

NÃO DEIXAREI NADA PORQUE OS ABÚTRES POSSAM BRIGAR,

OS DESPOJOS DE UM CORPO VENCIDO PELA GUERRA DA VIDA SERÃO DE QUEM?

QUEM VAI QUERER ALGO?

EU NUNCA QUIS!!!

TIVE UM DIA ATRÁS DO OUTRO ENTRE UM NOITE ESCURA E QUENTE, SEM VENTO SEM CHERO , SEM AROMA DE VIDA,

SÓ DE ESCURIDÃO ACINZENTADA.

O VÔMITO NUNCA VEIO

NUNCA VIRÁ

SÓ A VONTADE DE VIVER

VIDA QUE NAO TIVE

NÃO TEREI

SEREI PLENO

NA CAL...

07/06/2008

O estertor deu lugar a mais pura dor
A esperança se partiu

o fio findou
O que sobrou foi a lama podre da morte

A dor da inexistência supera a dor do existir
O estertor se calou
Soçobrou a vida num estalido
Na frialdade do descaso
O mundo não se acaba
Acaba quem se cala
Você se calou

Mas sempre vou ouvi-la!

25/05/2008

estertor

No bafo do estertor
Da contradição existencial.
Tudo é crucial
Sem métrica
o bafejo da esquelética
grita na antidialética
só sua vontade tem vez
inexiste um talvez

Quem sabe exista
Pendurado num fio de

EsperanÇA


A esperança
de que ela se afaste
caquética para longe
daqueles que amamos
sem sobrenome
apenas com o amor puro do amar
a indesejada nao se aproxime
barrada por um fio
da ultima que se acaba...